Domingo, 23 de Janeiro de 2022
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Chá!

Hora do Chá: A festa que não rendeu um centavo ao Cevam

O objetivo nobre não foi alcançado. Neste caso específico, a opulência das damas do cerrado deve ter causado ao Cevam uma grande decepção

Foto: Divulgação
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Mara Suassuna (BPW-Goiânia 2017), Valéria Perillo (ex-primeira dama do Estado de Goiás) e Raquel Teixeira, (ex-secretária Estadual da Educação, Cultura e Esporte do Estado de Goiás)

30 maio, 2020

p/  Silvana Marta

No dia 23 de setembro de 2017, a então primeira-dama do Estado de Goiás, Valéria Perillo, promoveu um evento intitulado ‘Hora do Chá - Chá das Damas do Cerrado’, no Palácio das Esmeraldas, em parceria com a Associação das Mulheres de Negócio e Profissionais de Goiânia (BPW-Goiânia), cuja presidente naquele ano era Mara Suassuna. O evento foi amplamente divulgado por toda a imprensa goiana: “O Chá das Damas do Cerrado, edição Goiânia, tem como principal objetivo apoiar o Centro de Valorização da Mulher (CEVAM), que abriga mulheres e crianças vítimas de violência doméstica. A iniciativa tem um objetivo nobre e busca resgatar a beleza, o compartilhamento e a elegância presentes nas ações sociais” (sic), ressaltou Mara Suassuna, presidente da BPW Goiânia. “O evento será beneficente e contará com mulheres solidárias, cheias de charme e requinte não só da cidade. Uma celebração deliciosa, em que estarão no evento participantes da Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais- BPW Brasil, da BPW na América Latina e Países do Caribe e Fala Hispânica, BPW Brasília e BPW Cuiabá”(sic). Houve desfile da “Coleção Verão 2018 do chapeleiro destaque nacional Denis Linhares, inspirada na suavidade das flores e cores da primavera, e das estilistas goianas Natália e Maisa Gouveia, que apresentou sua Coleção Somma Flower - Cores, fluidez, estampagens pintadas à mão para uma estação que só pede alegria”, ao pôr-do-sol’(sic). Um mega evento realizado na sede do Governo de Goiás. O que não foi publicizado pela imprensa em geral é que apesar de amplamente divulgado e prestigiado, com alcance nacional e internacional, o objetivo ‘nobre’ não foi alcançado: o evento não rendeu nenhum centavo ao Centro de Valorização da Mulher (CEVAM). É que ao prestar contas à entidade, a BPW-Goiânia apresentou um balancete onde a entrada empatou com a saída, tendo a festa zerado em lucros, embora não possamos falar em prejuízo. O que entrou saiu, e não sobrou nenhum dinheiro para a doação;  o objetivo nobre não foi alcançado - explicou uma diretora do CEVAM que ao ser questionada sobre o fato se esquivou dizendo: " Não vamos mexer com a questão levantada por você; vamos olhar para frente."  Neste caso específico, a opulência das damas do cerrado deve ter causado  ao Cevam uma grande decepção. A instituição não tem fins lucrativos e sobrevive graças à doações de voluntários. À época e em virtude do evento, certamente criou uma grande expectativa de que receberia uma graúda doação proveniente da luxuosa celebração. O que teria dado errado na organização da pomposa festa, onde só podiam entrar mulheres que estivessem usando chapéus e casquetes, para que o objetivo principal, qual seja a caridade, não fosse alcançado? Opulência e requinte não combinam com caridade? Aliás muitas são as dúvidas que passam pela cabeça do espectador, entre elas, se a Primeira Dama Valéria Perillo e a organizadora Mara Suassuna usaram de seu poder e posição para fazerem uma festa ostentação onde o luxo e a diversão foram as verdadeiras prioridades e a caridade ficou em último lugar? Finalmente, pela força e em decorrência do aparelhamento do Estado contra o cidadão, a entidade que foi lograda não se manifesta. Procurada, a diretora-conselheira do Cevam, Maria das Dores Dolly,  através da jornalista Carla Monteiro, da entidade, disse: “Não vamos mexer com a questão levantada por você. Vamos olhar para frente.”  Foi por água abaixo tanto esforço, a um alto custo por ingresso, no valor de R$200,00 (duzentos reais) por pessoa, com o objetivo de ajudar mulheres e crianças vítimas de violência doméstica. Uma pena e precisava, de  uma investigação mais apurada por parte do Ministério Público - imagino!

* Silvana Marta  de Paula Silva, advogada, jornalista e escritora

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